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title: "Saltos de desenvolvimento: o que a ciência diz"
description: "Saltos de desenvolvimento existem? Veja o que os estudos mostram sobre o calendário das semanas, a relação com o sono, o que ajuda e quando falar com o pediatra."
canonical: https://buppi.baby/blog/saltos-de-desenvolvimento/
last-updated: 2026-11-05
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# Saltos de desenvolvimento: o que a ciência diz

> Saltos de desenvolvimento existem? Veja o que os estudos mostram sobre o calendário das semanas, a relação com o sono, o que ajuda e quando falar com o pediatra.
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> Canonical: https://buppi.baby/blog/saltos-de-desenvolvimento/

Saltos de desenvolvimento existem em parte. Bebês passam mesmo por semanas de mais choro, mais colo e sono pior, e aprender algo novo pode bagunçar a noite. O que tem pouca evidência é o calendário: a ideia de que todo bebê entra em crise em semanas previsíveis.

Isso não invalida o que você está vendo em casa. Só muda o que dá para concluir: uma semana difícil pode ter a ver com uma habilidade nova, mas também com doença, fome ou cansaço, e um calendário não separa uma coisa da outra.

## De onde vem a ideia dos saltos

O conceito ficou conhecido com o livro *The Wonder Weeks*, dos pesquisadores Hetty van de Rijt e Frans Plooij. Em artigo de 1993, eles entrevistaram 15 mães de bebês de 0 a 20 meses e descreveram períodos difíceis, com conflitos entre mãe e bebê, precedidos por comportamento mais "regressivo". Artigos posteriores citam 10 desses períodos nos primeiros 20 meses.

O principal apoio de fora do grupo original que encontramos é um estudo da Catalunha, de 2002, com 18 bebês. Usando os métodos e os instrumentos dos autores da teoria, as autoras relataram 8 períodos no primeiro ano. Um segundo artigo, de 2010, usou os mesmos 18 bebês, teve o próprio Plooij como coautor e encontrou relação de tempo entre esses períodos e mudanças de desenvolvimento.

Isso é pouco para sustentar um calendário por semana. São amostras pequenas, com bastante informação vinda das próprias mães, que podem notar mais o que já esperam ver. Críticos citam tentativas de replicação que não encontraram os saltos, mas não conseguimos conferir os artigos originais, então não os usamos aqui. Até onde encontramos, não há estudo grande que confirme as semanas previstas.

## O que está bem apoiado e o que não está

| Afirmação | O que os estudos mostram |
|---|---|
| Bebês têm fases de mais choro e mais colo | Sim. Um estudo que observou bebês semanalmente por 15 meses encontrou muita variação no choro, na irritação e no tempo de contato com a mãe, sobretudo até os 10 meses |
| Aprender a engatinhar pode piorar o sono | Há dados, ainda de estudos pequenos |
| Cada salto acontece em uma semana previsível | Evidência fraca, de amostras muito pequenas |
| Todo bebê passa pelos mesmos saltos | Não demonstrado |
| Depois de cada salto vem uma habilidade nova | Um estudo pequeno relata relação de tempo, sem provar causa |
| O calendário indica se o desenvolvimento vai bem | Não. Para isso, use os marcos da idade |

## Saltos e sono: o que dá para afirmar

O dado mais concreto é sobre engatinhar. Um estudo israelense acompanhou 28 bebês dos 5 aos 11 meses, medindo o sono com sensor de movimento. No conjunto, o sono foi se consolidando, mas houve momentos com mais períodos longos acordado, e esse aumento ficou ligado ao início do engatinhar.

Em outro estudo, com 107 bebês de 5 a 8 meses, os que já engatinhavam tinham mais dificuldade na hora de dormir e mais despertares do que os que ainda não engatinhavam. Aos 7 e 8 meses, engatinhar explicou 17% da variação nos despertares. Os dados vêm de questionários respondidos pelas mães, em um momento só, e os próprios autores pedem mais estudos.

Portanto, faz sentido esperar noites piores quando ele está aprendendo a se locomover. Não há como prever a semana nem a duração. Para saber o que é comum a cada idade, veja [quantas vezes o bebê acorda à noite](/blog/bebe-acorda-muito-a-noite/). Se a piora veio de repente por volta dos 4 meses e ele está bem no resto, pode ser a [regressão do sono](/blog/regressao-sono-4-meses/). Com outros sintomas, fale com o pediatra.

## O que ajuda nas semanas difíceis

Estas são medidas de bom senso, sem estudo que as teste especificamente para esse período:

- **Dê mais tempo de chão durante o dia.** Acordado e com você por perto, ele pratica rolar, sentar ou engatinhar sem precisar treinar isso de madrugada.
- **Mantenha a [rotina de sono](/blog/como-criar-rotina-de-sono/).** Os mesmos passos dão previsibilidade, mesmo quando o resto está bagunçado.
- **Ofereça colo e conforto.** Acolher nessa fase faz parte do cuidado. Se o colo estiver pesando, veja [como passar para o berço](/blog/bebe-so-dorme-no-colo/).
- **Olhe as mamadas e as sonecas.** Bebê com fome ou muito cansado também fica irritado. As [janelas de sono](/blog/janelas-de-sono-por-idade/) ajudam a organizar o dia.
- **Reveze com outro adulto, se puder.** Noites de pouco sono pesam. Se chegar ao limite com o choro, coloque o bebê de barriga para cima no berço, saia do quarto por alguns minutos e peça ajuda. Nunca sacuda um bebê.

Novas habilidades também mudam o sono seguro. A Academia Americana de Pediatria (AAP) orienta parar de usar o cueiro quando o bebê der sinais de que vai rolar, em geral por volta dos 3 a 4 meses. Continue colocando-o de barriga para cima, em superfície firme e plana, sem objetos soltos no berço. Remédio ou suplemento para acalmar ou dormir, só com orientação do pediatra.

## Calendário de saltos ou marcos do desenvolvimento?

Se o calendário traz conforto, tudo bem usar, sabendo que é uma ideia com pouca prova, sem valor de previsão. O risco aparece quando "é só o salto" adia uma conversa com o pediatra.

Para acompanhar o desenvolvimento, os [marcos mês a mês](/blog/marcos-desenvolvimento-mes-a-mes/) são mais úteis. Na revisão publicada em 2022, a Academia Americana de Pediatria e o CDC, dos Estados Unidos, escolheram marcos que ao menos 75% das crianças já alcançam naquela idade, justamente para desencorajar a atitude de só esperar para ver. Os autores também apontam que faltam dados, sobretudo nos marcos sociais, emocionais e cognitivos.

## Quando falar com o pediatra

> **Converse com o pediatra se o bebê:**
>
> - perdeu algo que já fazia, como balbuciar, sorrir, sentar ou olhar nos seus olhos
> - não alcançou um marco esperado para a idade, ou se algo no desenvolvimento preocupa você, mesmo sem outros sinais
> - chora muito sem se acalmar com nada, ou mudou de comportamento de repente
> - dorme mal há mais de duas semanas, sem melhora (prazo sugerido por nós)
> - parece sentir dor, vomita com frequência, mama pouco ou não está ganhando peso
>
> **Procure atendimento imediato** se ele estiver muito mole, difícil de acordar, com dificuldade para respirar, com a pele arroxeada, ou se tiver febre com menos de 3 meses.

Anotar sono, mamadas e novidades por alguns dias ajuda a ver o que mudou e leva informação concreta para a consulta.

## FAQ

### Saltos de desenvolvimento existem mesmo?

Em parte. Bebês têm fases de mais choro, mais colo e sono pior, e novas habilidades podem mexer com o sono. O que tem pouca evidência é a ideia de saltos em semanas previsíveis, iguais para todos. Ela vem de estudos pequenos, com 15 mães no trabalho original e 18 bebês em outro estudo, sem grandes pesquisas que a confirmem até onde encontramos.

### Quanto tempo dura um salto de desenvolvimento?

Não encontramos um prazo bem estabelecido. Num estudo com 28 bebês acompanhados de 5 a 11 meses, o sono piorou perto do início do engatinhar e o sono seguiu melhorando no conjunto do período, mas isso não define uma duração para cada bebê. Se a piora durar mais de duas semanas, ou vier com outros sintomas, vale conversar com o pediatra. Esse prazo é uma sugestão nossa.

### O salto de desenvolvimento atrapalha o sono?

Pode atrapalhar. Em 107 bebês de 5 a 8 meses, os que já engatinhavam tinham mais dificuldade na hora de dormir e mais despertares do que os que ainda não engatinhavam. Num estudo que mediu o sono com sensor, as interrupções aumentaram perto do início do engatinhar. Os dois estudos são pequenos e não provam que seja igual para todos.

### Como saber se é salto ou se o bebê está doente?

Olhe o conjunto. Mais colo e sono pior com o bebê bem, mamando, sem febre e aprendendo coisas novas costumam ser menos preocupantes. Febre, dor, vômitos, recusa de mamar, poucas fraldas molhadas, moleza ou perda de algo que ele já fazia não devem ser atribuídos a um salto. Nesses casos, fale com o pediatra.

### Vale a pena seguir um calendário de saltos?

Pode servir de consolo, mas não como previsão. Como a evidência é limitada, o bebê não precisa estar em crise naquela semana, e o calendário não deve adiar uma consulta. Para acompanhar o desenvolvimento, os marcos da idade são uma referência melhor: o CDC e a Academia Americana de Pediatria usam o que ao menos 75% das crianças já fazem naquela idade.
