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title: "Calendário de vacinas do bebê no primeiro ano (PNI 2024-2025)"
description: "Quais vacinas o bebê recebe do nascimento aos 12 meses no SUS, do que cada uma protege, efeitos colaterais esperados, sinais de alerta e o que fazer se atrasar uma dose. Guia completo com base no PNI e na SBP."
canonical: https://buppi.baby/blog/calendario-vacinas-primeiro-ano/
last-updated: 2026-05-07
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# Calendário de vacinas do bebê no primeiro ano (PNI 2024-2025)

> Quais vacinas o bebê recebe do nascimento aos 12 meses no SUS, do que cada uma protege, efeitos colaterais esperados, sinais de alerta e o que fazer se atrasar uma dose. Guia completo com base no PNI e na SBP.
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> Canonical: https://buppi.baby/blog/calendario-vacinas-primeiro-ano/

A caderneta de vacinação é um dos documentos mais importantes do primeiro ano. No Brasil, o **Programa Nacional de Imunizações (PNI)** oferece gratuitamente, pelo SUS, todas as vacinas essenciais para proteger o bebê das doenças mais graves da infância. Este guia mostra **o que o bebê recebe em cada idade**, do que cada vacina protege, **o que esperar de reação** e **o que fazer se atrasar uma dose**. Tudo com base no calendário do Ministério da Saúde e nas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

> **País coberto neste guia: Brasil.**
> Calendário do **Programa Nacional de Imunizações (PNI) — Ministério da Saúde, edição 2025**, harmonizado com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Fontes oficiais: [gov.br/saude — Calendário Nacional de Vacinação](https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/calendario) · [SBP — Calendário 2025](https://www.sbp.com.br/).
>
> **Em outro país?** Os esquemas variam de país para país. Em **Portugal**, consulte o [Programa Nacional de Vacinação (PNV) — DGS](https://www.dgs.pt/saude-de-a-a-z/programa-nacional-de-vacinacao.aspx). Em **Angola, Moçambique, Cabo Verde** e demais países lusófonos, o calendário é gerido pelos respectivos Ministérios da Saúde, geralmente alinhados às recomendações da OMS.

## Por que vacinar no primeiro ano

O recém-nascido chega ao mundo com **anticorpos passivos da mãe** (transferidos pela placenta nas últimas semanas de gestação) e, se amamentado, com a proteção contínua dos anticorpos do leite. Essa defesa, porém, **diminui rapidamente** ao longo dos primeiros 6 meses, justamente quando o sistema imune do bebê ainda está se desenvolvendo.

As vacinas funcionam **ensinando** o sistema imune a reconhecer e responder a vírus e bactérias **antes** que a doença ocorra. No primeiro ano, o bebê recebe a maioria das doses primárias contra as doenças que **historicamente mais matavam ou deixavam sequelas** em crianças pequenas: tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, sarampo, meningites, pneumonias, rotavírus, febre amarela e varicela.

Segundo a OMS, a vacinação infantil **previne entre 3,5 e 5 milhões de mortes por ano** no mundo todo.

## Calendário do PNI no primeiro ano

O calendário abaixo segue o **PNI 2025**. As datas exatas podem variar por município (algumas cidades antecipam ou atrasam por logística local), mas a estrutura é nacional.

| Idade | Vacinas |
|---|---|
| **Ao nascer** | BCG · Hepatite B (1ª dose) |
| **2 meses** | Pentavalente (1ª) · VIP (1ª) · Pneumocócica 10 (1ª) · Rotavírus (1ª) |
| **3 meses** | Meningocócica C (1ª) |
| **4 meses** | Pentavalente (2ª) · VIP (2ª) · Pneumocócica 10 (2ª) · Rotavírus (2ª) |
| **5 meses** | Meningocócica C (2ª) |
| **6 meses** | Pentavalente (3ª) · VIP (3ª) · Influenza (campanha anual) · COVID-19 (esquema de 3 doses para grupos prioritários — confirme com o pediatra a Nota Informativa em vigor) |
| **9 meses** | Febre amarela (1ª dose) |
| **12 meses** | Tríplice viral (SCR — sarampo, caxumba, rubéola) · Pneumocócica 10 (reforço) · Meningocócica C (reforço) |

> **Importante**: este é o calendário de rotina do SUS para 2025. Sempre confira a caderneta na UBS, porque o PNI atualiza periodicamente o esquema (datas, doses e composição). No primeiro ano de vida, o SUS oferece a meningocócica C; a meningocócica ACWY pelo SUS é restrita a adolescentes (11-14 anos), e a meningocócica B só está disponível na rede privada.

## Vacina por vacina: do que protege e como reage

### Ao nascer

**BCG** (na maternidade ou primeiro mês). Protege contra as **formas graves da tuberculose** (meningite tuberculosa, tuberculose miliar). É aplicada no braço direito e exige **peso mínimo de 2 kg** — prematuros abaixo desse peso recebem assim que atingirem 2 kg. Forma uma pústula que evolui em **úlcera, crosta e cicatriz** entre a 3ª e a 12ª semana. Esse processo é normal — não cubra, não passe pomada, não force a cicatrização. Procure orientação se houver gânglio inchado debaixo do braço maior que 3 cm, ou abscesso com drenagem prolongada.

**Hepatite B (1ª dose)**. Idealmente nas primeiras **12 horas de vida**. Protege contra a infecção pelo vírus da hepatite B, que pode causar hepatite crônica, cirrose e câncer de fígado anos depois. As doses seguintes vão dentro da pentavalente (2, 4 e 6 meses).

### 2, 4 e 6 meses

São as visitas mais "carregadas" de injeções — mas também as mais importantes.

**Pentavalente** (DTP + Hib + Hep B). Cinco doenças em uma:
- **D**ifteria, **T**étano, **P**ertussis (coqueluche)
- **H**aemophilus **i**nfluenzae tipo b (causa de meningite e pneumonia)
- **Hep B** (segunda, terceira e quarta doses)

Reação esperada: **dor, vermelhidão e endurecimento** no local; **febre baixa** nas primeiras 24-48h; **irritabilidade e sonolência**. A pentavalente do SUS usa o componente **DTP de células inteiras**, que tem mais reatogenicidade do que a versão acelular (DTPa) disponível na rede privada — ambas são seguras e eficazes. Em prematuros extremos com histórico de eventos adversos, a SBP indica avaliação no CRIE para uso de vacinas acelulares.

**VIP — Vacina Inativada contra Poliomielite** (injetável). Desde 2024, a VIP substitui a antiga "gotinha" (VOP) em **todas as doses** do esquema brasileiro, incluindo os reforços de 15 meses e 4 anos. Protege contra a paralisia infantil.

**Pneumocócica 10-valente**. Protege contra 10 sorotipos do *Streptococcus pneumoniae*, principal agente de **pneumonia, otite média, meningite e bacteremia** em crianças pequenas. A dose dos 12 meses é o reforço.

**Rotavírus** (oral, em gotas). Protege contra a **gastroenterite por rotavírus**, que era a principal causa de diarreia grave e desidratação em bebês antes da vacina. Há uma janela de idade rígida: a **1ª dose entre 1 mês e 15 dias e 3 meses e 15 dias**; a **2ª entre 3 meses e 15 dias e 7 meses e 29 dias**. **Doses fora dessa janela não podem ser dadas** (risco de invaginação intestinal aumenta). Por isso, atrasar essa vacina pode significar perdê-la para sempre — não dá para "atualizar depois". Se o bebê **golfar ou vomitar logo após** a dose oral, a orientação do PNI é **NÃO repetir** a aplicação no mesmo atendimento; a próxima dose segue o calendário normal.

**Influenza** (a partir dos 6 meses, na campanha anual). Protege contra a gripe sazonal. A primeira vez exige **2 doses com 30 dias de intervalo**; nos anos seguintes, dose anual única.

### 3, 5 e 12 meses — Meningocócica C

Protege contra a meningite meningocócica do **sorogrupo C**, ainda comum no Brasil. Reação local leve, febre baixa eventual.

### 9 meses — Febre amarela

Uma única dose, em **dose padrão** (não fracionada para essa idade). Protege contra a febre amarela, doença grave transmitida por mosquitos. **Reforço aos 4 anos**. Vacina de vírus vivo atenuado: contraindicada em imunossuprimidos graves; em casos especiais (alergia grave a ovo, por exemplo), discuta com o pediatra ou um Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE).

### 12 meses

**Tríplice Viral (SCR)**. Sarampo, Caxumba e Rubéola. Vacina de vírus vivo atenuado. Reação esperada: febre **5 a 12 dias** depois da aplicação (não é "vacina pegando tarde" — é o ciclo do vírus atenuado), eventualmente com manchas leves na pele que desaparecem sozinhas. O sarampo voltou a circular em vários estados — manter essa vacina em dia é proteção comunitária essencial.

**Reforços de pneumocócica 10 e meningocócica C** completam o ciclo do primeiro ano.

## O que esperar nas 48 horas após a vacina

A maior parte dos efeitos colaterais aparece nas **primeiras 24-48 horas** e some sozinha. São sinais de que o sistema imune está trabalhando — **não significam que a vacina "fez mal"**.

| Reação | É esperado? | O que fazer |
|---|---|---|
| Dor, vermelhidão, endurecimento no local | Sim, em até 50-80% das doses | Compressa fria nas 1ªs horas; depois compressa morna se ainda houver endurecimento |
| Febre até 38,5°C | Sim, em até 30% das doses | Conforto e hidratação; remédio só com orientação do pediatra |
| Irritabilidade, sonolência, redução do apetite | Sim | Acolhimento, mais colo, mamadas mais frequentes |
| Choro mais intenso por algumas horas | Sim | Tudo bem; observe a duração |
| Pequenas manchas na pele 5-12 dias após tríplice viral / febre amarela | Sim | Não medicar, observar |

## Sinais de alerta — quando procurar atendimento

Embora raros, alguns sinais exigem **avaliação médica imediata**:

- **Febre acima de 39,5°C** ou que não cede com as medidas orientadas pelo pediatra
- **Choro inconsolável por mais de 3 horas** continuamente
- **Convulsão**
- **Letargia importante** — bebê "molinho", difícil de despertar
- **Inchaço extenso do membro** vacinado (toda a coxa ou braço inchado)
- **Reação anafilática**: urticária generalizada, inchaço de face/lábios, dificuldade respiratória, palidez extrema — geralmente nos **primeiros 30 minutos**, por isso muitos postos pedem para esperar antes de ir embora

Esses eventos são raríssimos (anafilaxia: cerca de 1 caso em cada 1 milhão de doses, segundo a OMS), mas devem ser registrados como **Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV)** para que o Ministério da Saúde monitore a segurança dos imunizantes.

## Se atrasou uma dose

**Boa notícia**: o calendário vacinal é **cumulativo**. As doses que o bebê já recebeu continuam valendo. Você não precisa recomeçar nenhum esquema — só completar o que falta.

O que fazer:

1. **Leve a caderneta** à UBS ou ao pediatra. Eles vão calcular o esquema de atualização.
2. **Quanto antes melhor**, especialmente para vacinas com janela rígida como o rotavírus (que tem idade-limite absoluta).
3. **Não pule** doses pensando "ele já recebeu uma vez, deve estar protegido". A imunidade duradoura depende do esquema completo.
4. **Vacinas simultâneas são seguras** — o bebê pode receber várias no mesmo dia em locais diferentes, sem reduzir a resposta nem aumentar reações graves.

A SBP e o Ministério da Saúde reforçam: **mais grave que a reação à vacina é a doença que ela previne**. Sarampo, coqueluche, meningite e tuberculose voltaram a aparecer em locais com queda de cobertura vacinal nos últimos anos.

## Mitos comuns — e o que diz a evidência

- **"Vacina causa autismo"** — Mito. O estudo de Wakefield (1998) foi retirado por fraude; o autor perdeu o registro médico. Estudos posteriores com milhões de crianças (Hviid et al., Annals of Internal Medicine, 2019, com 657 mil crianças dinamarquesas) **descartaram qualquer associação**.
- **"Muitas vacinas de uma vez sobrecarregam o sistema imune"** — Mito. Um bebê encontra trilhões de antígenos por dia só pelo ambiente; o conjunto de vacinas representa uma fração mínima. A combinação foi desenhada para ser segura e eficaz.
- **"Se ele tem cólica/refluxo, melhor adiar"** — Mito. Cólica e refluxo não contraindicam vacinação.
- **"Bebê amamentado não precisa de vacina"** — Mito. O leite materno protege contra várias infecções, mas não substitui as vacinas. Os dois se complementam.
- **"Remédio antes da vacina previne febre"** — Não recomendado. Estudos mostraram que medicar preventivamente **reduz a resposta imune** a algumas vacinas. Se a febre aparecer, fale com o pediatra.

## Como organizar a caderneta no primeiro ano

Algumas práticas que ajudam:

- **Marque na agenda** o próximo aposto vacinal assim que sair do anterior.
- **Tire foto da caderneta** depois de cada visita — perda de caderneta é um problema sério para reconstruir o histórico.
- **Anote como o bebê reagiu** (febre? quanto tempo? dor no local?). Isso ajuda o pediatra a orientar melhor a próxima dose.
- **Se for viajar para fora do Brasil**, especialmente para regiões com surtos (sarampo, febre amarela, poliomielite), confirme com antecedência se o esquema está em dia ou se há vacinas adicionais recomendadas.

## Resumo para a geladeira

- Ao nascer: BCG + Hep B
- 2 / 4 / 6 meses: pentavalente, VIP, pneumocócica, rotavírus
- 3 / 5 meses: meningocócica C
- 6 meses: começa a influenza (campanha anual)
- 9 meses: febre amarela
- 12 meses: tríplice viral + reforços

Vacinar em dia é o **gesto preventivo de maior impacto** que você faz no primeiro ano. Em caso de dúvida sobre uma dose específica, recorra à UBS, ao pediatra ou ao calendário oficial do PNI — nunca a redes sociais ou influenciadores.

## FAQ

### Posso vacinar o bebê com resfriado leve?

Sim. Resfriado, coriza e tosse leves, sem febre ou comprometimento do estado geral, NÃO contraindicam vacinação. A única contraindicação universal é doença febril aguda moderada a grave (febre acima de 38°C com sintomas importantes) — nesse caso, adia a dose por alguns dias. Reação prévia anafilática à vacina ou a um de seus componentes também contraindica novas doses daquele imunizante.

### Febre depois da vacina é normal?

Sim, febre baixa a moderada (até 38,5°C) nas primeiras 24-48h é uma reação esperada — sinal de que o sistema imune está respondendo. Se houver febre instalada ou desconforto, converse com o pediatra sobre o que fazer — não medique por conta própria. A SBP e a OMS NÃO recomendam dar remédio 'preventivo' antes ou logo após a vacina, porque pode reduzir a resposta imune.

### Se eu atrasar uma dose, preciso recomeçar tudo?

Não. O calendário vacinal é cumulativo: doses já aplicadas continuam valendo. Você não precisa recomeçar nenhum esquema, só completar as doses faltantes o quanto antes. Procure a UBS ou o pediatra com a caderneta para receber o esquema de atualização.

### Vacinas particulares valem a pena ou as do SUS são suficientes?

O PNI/SUS oferece proteção sólida contra as doenças graves prioritárias da infância. A rede privada disponibiliza algumas opções com cobertura ampliada ou menos picadas: hexavalente acelular (em vez da pentavalente de células inteiras), pneumocócica 13-valente (cobre 3 sorotipos a mais que a 10), meningocócica ACWY e meningocócica B (não disponíveis para bebês no SUS). A decisão depende do orçamento e da orientação pediátrica — o calendário público sozinho protege contra as doenças mais letais da infância.

### Vacina causa autismo?

Não. O estudo de 1998 que sugeriu essa associação foi retirado da revista Lancet por fraude, e o autor perdeu o registro médico. Desde então, mais de uma dúzia de estudos com milhões de crianças (incluindo um dinamarquês de 2019 com 657 mil) confirmaram que NÃO há relação entre vacinação e autismo. A hesitação vacinal é um dos maiores riscos à saúde global apontados pela OMS.

### Quando o bebê fica imune depois da vacina?

Depende da vacina. A maioria das proteções começa a se desenvolver entre 1 e 2 semanas após a dose, mas o esquema completo (geralmente 3 doses no primeiro ano + reforços) é o que garante imunidade duradoura. Por isso é tão importante seguir o calendário sem pular.
